Estava ouvindo a conversa de minha mãe esses dias. Ela é uma figura peculiar, do tipo que faz você passar vergonha mas ao mesmo tempo é única.
Ela estava contando que antigamente as mulheres de resguardo tinham que comer frango capado.
Não sei da onde veio essa ideia maluca, mas isso era uma puta sacanagem com o frango. Pegavam o coitado, cortavam suas bolas, e davam elas para o frango comer, junto com uma pedra de sal grosso. Imagine ter que comer as suas próprias bolas com sal a gosto (podiam jogar um Sazon em cima). Não satisfeitas com tamanha crueldade, costuravam o cu do frango e esfregavam cinzas do fogo ali também. Tudo isso para que ele engordasse.
Agora sério...cadê a sociedade protetora dos animais nessa hora? Quantos frangos não tiveram o cú costurado e queimado e ninguém fez nada?
É claro que o frango iria engordar! O filho da puta não tinha mais cu! Se não está cagando o bicho vai inchar feito um balão.
Nem quero imaginar o gosto que ficava na carne. Esses costumes antigos que usavam em pessoas grávidas são bizarros, como chá de cocô e comer tijolo baiano.
Essa coisa de puerpério é para os fracos! O que manda é comer frango capado.
Quem aí não sabe cozinhar? Sim, estou falando com você, que mal sabe fritar um ovo, que não sabe o que é um ovo! Você, que o máximo que sabe fazer em matéria de cozinhar é ligar pra pizzaria. Ou você, solteiro, que vive sozinho e come miojo há mais de um ano.
Quem nunca chegou em casa bêbado as 4 da manhã morrendo de fome e quis comer algo? Mas não sabia preparar nada?
Se você, assim como eu, não serve nem pra ser Louro José, Larica total é o seu programa.
Os programas de culinária que tem por ai são muitos sofisticados. Eles preparam um escargot, mas quem tem escargot na geladeira? As pessoas ficam assistindo como se aquilo tudo fosse uma ficção.
Mas o Larica total é um programa de culinária de guerra, onde a única coisa que importa é matar a fome com o que achar pra comer.É usando aquilo que se tem na geladeira. E se não tem, improvisa.
Em que programa de culinária vai ver o apresentador se virando pra cortar carne com uma faquinha de pão? Ou tem que improvisar porque o frango estragou?
Entre os pratos preparados, temos o sushi de feijoada, estrogonofe de salsicha e pão tostado na boca do fogão.
O programa passa no Canal Brasil, mas se você é pobre como eu e não tem tv a cabo, procure no youtube que tem os vídeos pra assistir:
Acesse também o site do programa, onde tem diversas receitas de guerrilha.
Hoje fui jantar fora e admito que tenho o péssimo hábito de observar as pessoas comendo. É possível aprender muito sobre a pessoa só pela maneira que come.
Por exemplo, um cara que faz vulcãozinho de arroz e feijão só pode ser um trabalhador da construção civil, popularmente conhecido como um peão. Ou pode ser apenas uma pessoa que tem problemas para se libertar de certos hábitos infantis.
E na minha frente havia uma senhora diante de sua refeição. Dava pra ver que se tratava de uma pessoa bem de vida pelas roupas finas, os trejeitos refinados e o celular de última geração. Além disso estava comendo aqueles pratos de ricos composto por porções miseráveis servidas em que diversos pratinhos de porcelana branca. O problema é que a pobre senhora talvez tivesse esquecido sua dentadura em casa ou no trabalho, pois cheguei a ter pena da mulher tentando comer. Ficou chupando a torrada até conseguir ficar molinha e mastigar.
Uma lição de vida aprendida: "Nunca saia sem sua dentadura, e se sair, não se arrisque com alimentos duros".
Ela saiu e eu continuei lá conversando e nisso sentam dois caras com um prato de comida japonesa.
Sou leigo na culinária japonesa, mas alguns pratos que o sujeito pediu deu pra reconhecer, e devo dizer que a falta de conhecimento ao degustar um alimento de outra nacionalidade pode ser no mínimo constrangedor.
Nem digo isso pelo fato de usar os hashis, o "pauzinho japonês", pois eu mesmo não tenho a menor habilidade para usar aquilo e já fiz muito frango voar do meu prato em tentativas frustadas de comer com o pau.
* Momento Chaves * Afinal, não dá para tirar o pau pra comer.
Ele comeu um Yakissoba, que ok, é macarrão. É fácil de comer, só enrolar no garfo e mandar goela abaixo. Já o Sushi me deu uma certa vergonha alheia pois o sujeito espetava os pobres rolinhos de arroz como se fossem bichos vivos e cortava cada um a ponto da faca riscar no prato e fazer aquele barulho irritante.
Depois ele comeu uma banana caramelizada e ainda não sei como, mas ainda existia espaço naquele saco sem fundo para um Temaki, que é um tipo de sushi em formato de cone e que é para ser comido com a mão mesmo.
A cena eu que vi foi o sujeito primeiro cortar a ponta do cone, como se estivesse tirando a cauda de um peixe, depois abrindo o Temaki no meio como se estivesse dissecando um sapo numa aula de biologia, examinando cada item e fazendo uma cara de puro estranhamento para no final fazer um mexidão e comer como se fosse um virado à paulista.
Nisso seu amigo foi buscar um pouco de shoyu, pois viu que o companheiro fazia um esforço tremendo para fazer descer goela abaixo o arroz seco.
Aquilo já tava me dando agonia, deu vontade de levantar e comprar um Temaki e passar do lado do sujeito "Olha, não é incrível, isso se come com a MÃO e um pouco de SHOYU para descer suave, fantástico!"
Mas respirei fundo e me contive. Continuei observando o cara finalmente cortar a "cabeça" do temaki e enfiar aquele enorme tufo de arroz e vegetais dentro da boca à seco, e tentar engolir, com direito a mini arrotos e um princípio de golfada.
Depois o sujeito levantou e comprou mais alguma coisa pra viagem, talvez mais Temakis para levar para casa e dizer "Óia, mãe, o bicho estranho que eu comi hoje!"
Por isso até hoje eu tenho receio de comer comida árabe, vai saber se não irei vomitar ao comer um Kibe cru por exemplo, ou carne de camelo, ou sei lá...
Imagine uma grande coluna de carne de origem duvidosa em um espeto no meio da rua, exposta à poluição, insetos, sujeira e tudo mais o que puder imaginar, pingando gordura. Agora corte fatias dessa carne e use para rechear um um pão. Os mais corajosos ainda pedem: "passa aí o pão na gordurinha, chefe". Alguns locais oferecem uma saladinha vinagrete pra acompanhar.
O churrasco grego é riquíssimo em proteínas, afinal insetos tem muita proteína. Cada mosca que pousa na carne é imediatamente morta e passa a fazer parte dessa massa de carne. Geralmente ele é vendido com o suco grátis, afinal não é fácil descer goela abaixo o pão seco. Mas graças à produção industrial, o suco é gratuito. O processo de fabricação acontece em um grande balde de água, mexido por um cabo de vassoura, produzindo litros e litros de suco.
Risco máximo - coma por sua conta e tenha um seguro de vida
Batata Frita
Passaram a ser vendidas a pouco tempo. O sujeito monta sua barraca e frita quilos e quilos de batata com o mesmo óleo. Agora imaginem um óleo que foi queimado o dia inteiro, com a poluição e sujeira para dar um sabor especial. Para acompanhar essa porção maravilhosa de batata nadando em óleo temos catchup de balde, mostarda de corante e aquela maionese que ficou o dia inteiro debaixo do sol. Agora é só saborear essa porção deliciosa.
Risco médio - coma perto de casa, para dar tempo de correr pro banheiro
Cachorro-Quente
Já foi o lanche número um entre os motoboys e pobres em geral. O podrão hoje em dia também é servido no prato, uma mistureba de de legumes e salsicha com gosto de jornal. É responsável pela mutação dos pombos da cidade, já que eles comem o que as crianças derrubam no chão. Também pode ser encontrado na Barra funda por R$0,99!
Risco mínimo - mas recuse o vinagrete e a maionese, por via das dúvidas
Marmitex
Já viram o bom prato? Comida barata ao valor módico de um real? Feita com produtos de qualidade duvidosa e reagada a muito salitre e óleo. Coloque tudo isso num prato de papel alumínio. É mais conhecida como quentinha, mas na verdade está sempre fria. Os mais habilidosos conseguem produzir uma colher com a tampa para comer. Prato número um entre os peões de obra.
Risco médio - certifique-se de que há um sanitário próximo
Pastel de Chinês
Se for comer numa pastelaria de chineses, tome cuidado. Aquela coisa preta no vinagrete não é uma azeitona, nem um tomate preto! E nunca tente matar uma barata com o seu pastel... deixe ela passar em paz. Se achar uma no seu pastel, considere como um biscoitinho da sorte.
Risco alto - tenha um saco de vômito em mãos
Bolovo
Conhecido também como bolinho de ovo. Ovo cozido por si só já pode ser tornar uma arma química letal nas mãos erradas. Acrescente então um detonador de massa frita em óleo queimado e pronto! Garantia de peido podre o dia inteiro.
Risco alto (pra quem come) a extremo (pra quem convive com alguém que comeu) - tenha uma rolha disponível
Yakissoba
Uma iguaria da culinária oriental. Mas hoje em dia qualquer um vende na rua, seja japonês, chinês, cearense... Consiste em macarrão, legumes, carne (de porco, de boi, de gato, de gente) molho de soja, óleo de gergelim e qualquer mato que possa ser jogado ali no meio. Se for comido na liberdade, naquela típica feirinha que acontece aos domingos, esteja preparado para correr para o banheiro mais próximo.
Risco baixo - tenha um sal de frutas no bolso
Espetinho de Churrasco
Clássico de comida de rua, vende em todo lugar: porta de faculdade, boteco, estação rodoviária, estação de trem, esquina movimentada... Em alguns lugares ao comprar o espetinho você tem direito a uma dose de 51 pra ajudar a descer. Sempre peça o espetinho de linguiça, porque se pedir o de carne pode acabar levando gato por boi. Reparem que nunca tem um gato perto de um churrasqueiro.
Risco médio - evite sempre que puder, mas o que não mata engorda
Ah, o Bairro da Liberdade. Um pedacinho do Japão em plena São Paulo. Mas tambem é uma dimensão alternativa habitada pelas mais bizarras criaturas.
Resolvi explorar esse ambiente estranho e trago aqui o relato desse excêntrico safári.
Ao passar pelo portal que se encontra em algum túnel do metrô, você sai em um mundo onde o ridículo não existe.
Na Liberdade tudo se mistura, ninguém é de ninguém. Uma das espécies encontradas nesse mundo alternativo são os Otakus.
Resultado de uma anomalia génetica, eles vêm de uma linhagem de nerds. Gostam de anime e absorvem o pior da cultura japonesa.
Um exemplo de otaku fazendo cosplay
É possível encontrá-los nas escadarias da estação de Metrô, geralmente em bandos, com mochilas enormes cheias de mangás, dvds piratas de anime e até suas fantasias de cosplay. Pode-se ouví-los de longe, já que suas mochilas estão sobrecarregadas de chaveiros de anime e j-rock, já vi mochilas com mais de cem.
Geralmente se vestem para chamar a atenção, nem que seja de sobretudo, luvas e chapéu num sol de 40º, além de chapinha para tentar atingir o alisamento capilar típico dos orientais.
Eles ficam lá, tomando Mupy (a bebida número 1 dos otakus) e brincando de lutinhas soltando seus golpes ninjas que viram em Naruto.
As otakas, espécimes do sexo feminino (ou não) são igualmente bizarras: sem vida social, possuem apenas amigos otakus, geralmente estão acima do peso e cheias espinhas na cara. Costumam idolotrar mais o personagem principal de um anime desconhecido do que seus próprios namorados, também otakus e, se possível, orientais.
Adoram fazer cosplay e passear na Liberdade usando orelhinhas de gato feitas de pelúcia vagabunda e expressões como "Kawaii" e "Nyaaa" enquanto tentam fazer os otakus se beijarem (e eles fazem isso só para agradá-las).
Geralmente os otakus aparecem em determinadas épocas do ano em eventos, onde se reproduzem, mas pode-se encontrá-los a qualquer momento na Liberdade.
Assim como os pombos, os "ratos que avoam", eles são uma praga que merecem a extinção. Aliás, malditas velhas malucas turistas que vão à Liberdade e ficam alimentando essas pragas.
Mas nem todas as otakas são dispensáveis. Existe uma, mais conhecida como Serena Limãozinho que resolveu se aventurar no mundo do pornô após anos fazendo cosplay em eventos.
E já que falei nos pombos... Porra, minha senhora, não jogue milho ou crianças para as pombas comerem, porque elas descem da onde estão em bando jogando pena e piolhos na comida de quem está comendo na feirinha.
Aliás, a feirinha aos domingos é um caso a parte. Lá é possível provar pratos típicos da culinária japonesa. Mas por sua conta e risco, afinal é como comer um Churrasco Grego.
Mas os mais corajosos poderão provar iguarias como:
Yakissoba: Macarrão oleoso cheio de legumes e alguma carne de procedência duvidosa
Takoyaki: Bolinhos de polvo
Tempurá: Um pastel de vegetais estupidamente oleoso
Camarão: Espetinhos de camarão. Cuidado, esse é mortal. Após ingerido terá apenas alguns minutos para achar o banheiro.
Bifun: É um macarrão fino feito de arroz com legumes. Um Yakissoba light.
Churrasco: Em vez de carne de gato, usam carne de cachorro.
Dorayaki: Panquequinhas doces com recheio de creme ou de feijão doce (sim... feijão doce)
Acarajé: Sim! Pode encontrar lá também, vendidos por uma autêntica Japonesa Baiana.
Melona: Um sorvete quadrado no palito com gosto de melão e outros sabores. Caro pra cacete.
Ao andar pelas ruas, poderá ver um tiozinho pregando a palavra de Deus em várias línguas, um verdadeiro poliglota.
Um dos principais pontos turísticos da Liberdade é o Sogo, um shopping-galeria onde é possível comprar as melhores mercadorias mande in china, hong kong e corea.
Destaque para uma loja de artigos góticos, onde você pode tirar uma foto dentro de um caixão ou dar uma volta na vassoura (mas hein?) por apenas R$1,50.
Existem ainda inúmeros restaurantes Orientais, recomendo ir com alguém que entenda o que vem escrito no cardápio, ou pode pedir uma coisa que parece frango e na verdade ser um treco que vai lhe fazer vomitar por horas. Também pode beber um belo saquê (mas por favor, não invente de lamber o pratinho). Alguns desses restaurantes possuem uma área reservada para o Karaokê.
Falando nisso, Karaokê é uma coisa do inferno, mas esses da Liberdade são literalmente uns "inferninhos". A primeira vez que fui em um, me senti entrando em um puteiro, subindo escadas e entrando em uma salinha mal iluminada, onde pode soltar todos os seus talentos musicais sem passar vergonha.
Espero que esse pequeno guia o ajude a sobreviver a essa aventura.
E fiquem agora com a Deusa de Rosa com Orelhas de Coelhinho